el tiempo viejo que lloro

Si arrastré por este mundo
la vergüenza de haber sido
y el dolor de ya no ser,
bajo el ala del sombrero
cuántas veces embozada
una lagrima asomada
yo no pude contener.

Alfredo Le Pera

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O lance de ter ficado um tempo sem compulsão é que agora eu sei que é possível. E isso pode ser perigoso. É como saber que eu posso parar de fumar. Da primeira vez que eu parei foi uma surpresa pra mim ter conseguido, porque eu realmente achava que não ia conseguir. E eu consegui (alias, pensando agora é uma constante em mim achar que não vou conseguir algumas coisas e a mesmo assim conseguir). E isso me fez pensar antes de voltar: Ah, mas se eu parei uma vez eu paro de novo…

e com a compulsão acontece algo assim: A sensação de ficar livre dela era tão boa, mas tão boa, eu crescia aos meus próprios olhos, sabem? eu crescia, eu gostava de mim, eu me sentia muito bem comigo mesma, num orgulho até meio bobo e infantil.

E voltar a ter compulsão é tão humilhante, é tão patético, de uma certa maneira.

Só que eu tb não vou ficar cultivando ódio de mim mesma, foi isso que me fez chegar nesse patamar de gordura. Esse ódio já se foi há muito tempo, não vou ressuscitar ele agora. Eu só preciso de olhar pra dentro e descobrir onde eu tirei a força de não me render à compulsão.

50 perguntas que libertam a mente
quem seria?

3 comments

  1. vania disse:

    Para mim, o mais cruel é que meu cérebro interfere tão pouco (conscientemente) e tão muito rss (inconscientemente) que quando tenho crises compulsivas fico me “desconhecendo”, porque nas outras áreas da vida sou tão forte, tão decidida, assusto as pessoas.

    Um dia deparei com esse trecho:

    “A Moderação sabia do estomago é uma porta para todas virtudes.
    Contenha o estomago, e você entrará no paraíso.
    Mas se você agradar e mimar seu estômago,
    você lançara a si mesmo sobre o precipício da impureza corporal,
    no fogo do castigo e da fúria,
    você irá vulgarizar e escurecer sua mente,
    e desta maneira você destruirá seus poderes de atenção e auto-controle,
    sua sobriedade e vigilância”*
    Ignatius Brianchaninov (Bispo Russo do séc. XIX)

    A princípio fiz mil e uma críticas, achei cruel, mal educado, etc. Depois, pensando bem, para mim o mais difícil é mesmo “conter o estômago”.

    beijos

  2. Daniela disse:

    Nossa, o tanto que eu me reconheci nesse post. Porque eu consegui me livrar dela e agora faz bem umas tres semanas que tô caída vergonhosamente na sarjeta (com drama e tudo, vai). Mas né? Pelo menos eu sei que eu consigo. Acho que isso torna as coisas mais fáceis.

    Beijos e força aí

  3. leticia disse:

    complicado isso…
    já tive várias compulsões, percebi que fui substituindo uma pela outra durante antes (cigarro, bingo, compras, etc), mas a alimentar acho que é a mais difícil de tratar. sou muito fã da terapia, queria ter grana pra voltar! hehehe
    o que tenho percebido é que quanto menos consumo açucar, mais fácil fica lidar com as crises. acho que a gente entra em uma montanha russa de picos e quedas de glicose que acabam alimentando a compulsão. lógico que não deve ser só isso, mas deve ajudar…

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