Pido permiso para nacer

Pablo Neruda

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Hoy volveré a nacer: pido permiso.
Permiso útero, permiso cordón prieto.
Permiso agua, placenta, oscuridades.

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No podrá retenerme la tibieza
plácida y calma del vientre cobijante.
No podrán disuadirme las presiones
de este túnel de carne que hoy me puja.
Con decisión inequívoca y sagrada
determino nacer: me doy permiso.
Y aquí estoy, desnudo de corazas,
dispuesto a recibir besos y abrazos
(no la palmada que provoque el grito:
ya no permitiré que me golpeen.)
Parteros de quien vengo renaciendo,
miren quién soy: soy digno. Los recibo.
Miren quién soy: adultamente niño.
Miren quién soy: vengo a ofrecer mi entrega.
Miren quién soy: apenas si respiro,
pero, de pie, me yergo y me estremezco,
dándome a luz en mi realumbramiento.
Tengo coraje para empezar de nuevo:
fortalecido en mis fragilidades
lloro de dicha, de dolor… Lloro de parto.
Lloro disculpas a quienes no me amaron,
por el maltrato, el frío, el abandono:
lloro la herida de todo lo llorable.
Y lloro de ternura y de alegría
por tanto recibido y encontrado:
lloro las gracias por el amor nutricio,
por la bondad de los que me ampararon.
Lloro de luz, y lloro de belleza
Por poder llorar: lloro gozoso.

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Bienvenida es vuestra bienvenida.
Sin más queja, dolido y reparado
por la caricia de este útero abrazante,
aquí estoy: recíbanme. Soy digno.
Me perdono y perdono a quien me hiriera.
Vengo a darles y a darme íntimamente
una nueva ocasión de parimiento
a la vida que siempre mereciera.
Me la ofrezco y la tomo. Me redimo.

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Con permiso o sin él, YO me lo otorgo:
me doy permiso para sentirme digno,
sin más autoridad que mi Conciencia.

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PEÇO PERMISSÃO PARA NASCER

Hoje irei nascer de novo: peço permissão.
Permissão cordão umbilical, permissão útero.
Permissão água, placenta, obscuridades.
Não vou me deter pelo calor da barriga
plácida e calma, envolvente.
Não serei dissuadido pelas pressões
deste túnel de carne que me puxa
Com a determinação inequívoca e sagrada
me determino nascer hoje: m e dou permissão.
E aqui estou eu, despido de armadura,
disposto a receber abraços e beijos
(sem tapa para causar o grito:
já não permitirei que me machuquem)
Parteiras e obstetras com quem venho renascer,
Olha quem eu sou: Eu sou digno. Os recebo também.
Olha quem eu sou: adultamente criança.
Olha quem eu sou: Eu venho a oferecer a minha entrega.
Olha quem eu sou: apenas sim, respiro.
Mas, em pé, eu estou de pé e eu me movo ,
me de a luz no meu renascimento.
Tenho a coragem de começar de novo:
fortalecido em minhas fragilidades.
Eu choro de alegria, lágrimas de dôr … de parto.
choro e desculpo àqueles que não me amavam,
pelo maltrato, pelo frio, pelo abandono:
choro pela ferida por todos os gemidos.
E choro de ternura e de alegria
Por tanto recebido e encontrado:
choro as graças pelo amor que nutre,
pela bondade dos que me receberam e me ajudaram.
choro de luz e de beleza
por poder chorar: chorar de alegria.
Bem-vindo é o seu bem-vir.
Sem nenhuma queixa nem mágoas
pela carícia do útero em chamas,
aqui estou eu: recebam-me. Eu sou digno.
Me perdôo e perdôo quem me magoou.
Eu venho para eles e para mim intimamente
uma nova oportunidade para parir
a vida que você deseja e merece.
me ofereço esta vida e assumo. Eu resgato.
Com ou sem permissão, eu me concedo:
Eu dou permissão para ser digno,
nenhuma autoridade é maior do que a minha consciência.

Pablo Neruda

a las cinco de la tarde
rumba de las madres

4 comments

  1. Alena Cairo disse:

    Saudades, menina, como anda esta barriga?

  2. Chris disse:

    Querida, quanto tempo!!!
    Quando é a DPP?

    Beijos

  3. Chris disse:

    Esqueci…
    Neruda é tudo de bom, adoro o trabalho dele =)

    BEijos enormes, cheios de saudade

  4. Dinha disse:

    Essa é uma das coisas mais lindas que li na vida, Nalu!
    Só poderia vir de Neruda, através de ti, ainda mais preenchida de luz neste momento… Um beijo grande, recheado com todo o meu carinho e admiração.

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